quinta-feira, 18 de agosto de 2011

O céu

O céu da menina amanheceu bordado!
Atordoada, passou o dia todo com a cabeça nas nuvens.

Foto: Érica Elke



quarta-feira, 20 de abril de 2011

terça-feira, 19 de abril de 2011

terça-feira, 29 de março de 2011

Balão

Para adquirir leveza de balão, respire fundo, fundas vezes, até virar nuvem.

Foto: Érica Elke



terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

sábado, 15 de janeiro de 2011

Enamorada

Foto: Érica Elke


























Pode ser que este moço da cidade grande
não queira mesmo muita coisa com Maria.
Vai ver nunca viu um dia azul
e nem de longe saiba quem é Adélia.
Mas Maria, louca de paixão,
não quer nem saber o sabido do moço.
Por horas escreve a torto:
 meu amor.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Na chuva

Vire uma sombrinha de cabeça para baixo e espere: depois deguste a poesia.

Foto: Érica Elke











quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Frio

Na minha terra, passarinho congela se para de bater suas asas. Mas hoje eu vi um beija-flor parar pra descansar. Foi tão rápido. Eterno!

Foto: Érica Elke

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Monóculo

Tiro o pequeno souvenir do bolso:
meio esverdeada pelo tempo, guardadinha lá no fundo,
a minha mãe de biquíni amarelo na praia do Rio de Janeiro.
Posso ouvir o som das ondas.
O retrato minúsculo parece cinema parado.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Temerário

Pode ser que este silêncio dure o dia todo
ou só o tempo de virar som outra vez.  

Foto: Érica Elke



quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Noite

Foto: Érica Elke






















De noite os barulhos gritam.
O silêncio se faz de surdo e continua mudo.




terça-feira, 24 de agosto de 2010

Imagem

A cortina de renda branca esconde a janela de madeira azul.
Lá fora, o sol amarela quenturas na estrada de terra.
Um radinho de pilha toca saudade.
Um homem leva uma galinha na garupa da sua bicicleta vermelha,
um menino chuta uma bola murcha e uma folha seca dança na varanda.
Olhando assim a vida parece um livro.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Espelho

Quebrou. Cacos no chão. Sonoro.
Um rosto em pedaços.
Espelhado. Espalhado. Silêncio.

terça-feira, 29 de junho de 2010

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Mudança

Foto: Érica Elke
A planta resolveu morar em cima do telhado. De lá consegue ouvir melhor os passarinhos e
é também a primeira a sentir o ventinho da manhã. Espreita janelas quietas e inquietas e vê o sino da igreja lá de longe. A planta agora tá se achando!

quarta-feira, 9 de junho de 2010

O quê me cabe?

Foto: Érica Elke





















O horizonte inteiro cabe no meu olho. O mar também cabe, mas cabe menos porque é muito fundo. O céu cabe pouco, porque é infinito... mas estrelas cabem demais, cabem todas.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Lembrança de mãe

Uma vez, eu era pequenininha, o sol batia quente e eu esperava a minha mãe agachada na porta de casa. Ela demorava... quando surgia, eu via pelo chão, era só uma sombra bonita carregando bilha d'água na cabeça.  '- Sai desse sol menina! ' A voz dela ressurge como a paisagem. Inesquecível!

terça-feira, 27 de abril de 2010

sábado, 24 de abril de 2010

Aula de Canto

Foto: Érica Elke





















A menina quer se concentrar.
Mas a janela aberta
mostra céu e mata,
passarinho e nuvem.

Tudo espera lá fora.



quinta-feira, 25 de março de 2010

Boêmio ou Fatídico?

Foto: Érica Elke
























Lá vai ela
O cabelo desalinhado
O batom fora do tom
O corpo manco, pesado
O Sapato preto furado
O coração dilacerado
bate tomtom, de dom!

terça-feira, 16 de março de 2010

Corre gente!

Hoje eu vi:
um céu azul se acinzentar
um homem alegre chorar
um ninho de passarinho cantar

A vida corre num dia

corre da gente
corre pra gente
CORRE GENTE!

terça-feira, 2 de março de 2010

Varal

No varal de Maria cabe tudo:
cabe a saia que saiu com João,
cabe a blusa que dormiu com José,
cabe o lenço que ganhou de Antônio.

E Maria já não cabe de saudade.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Segredo

No meio da tarde o velhinho toca um realejo.
A menina fita o periquito, intrigada com seu desejo. 
O velhinho gira a manivela e a música enche a praça. 
Mas o periquito nãotrabalha de graça! 
A menina dá seu miúdo trocado e pega o segredo dobrado. 
Os olhinhos pulam .
O segredo? Fica guardado.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

O Homem e o Rio

O Homem conversa com o Rio.
Falam sem dizer palavra.
Deságuam em correntezas de silêncio e grito.
Profundam .
Foto: Érica Elke

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Tardezinha

Hoje quase não se ouve passarinho.Tá frio. O cinza do céu entra dentro da gente. A saudade vai rodeando... rodeando... até sentar e puxar conversa.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

O mar?

Diz que é assim: um tanto de água de não se medir e que o sol quando encosta a pontinha do dedo nela espalha todo o seu vermelho. E não se tem fundo de mar, tão grande é suas entrança. Eu não connheço o mar. Mas um dia, qualquer desses, ainda ando num cavalo marinho!

sábado, 5 de dezembro de 2009

Chuvaceiro

Choveu ontem lá na Vila
Chuva grossa de molhá
Encharcô preta Eteuvina
Carregô o sabiá
Alegrô sinhá menina
Que brincô de se banhá
Carregô vestido novo
Que dormia no vará

Lavô chão de barro seco
Esquecido de meu Deus
Enchurrô de riachá
No terreiro de Deus meu

Aguaceiro durou tempo
De menino se agitá
Construindo grande vela
Pra no "mar" se aventurá
Os barquinho se desceram
A ladeira a navegá
Foi bunito de se ver
O papel se desmanchá

Hoje chove quase nada
Chuva fina de nublá
As nuvens se ajeitando
Parecem se esfregar
Se arredando com o vento
Um arremedo de forró
Querem logo se irem embora
Pra chovê noutro lugá

Lavô chão de barro seco
Esquecido de meu Deus
Enchurrô de riachá
No terreiro de Deus meu